O futuro da IA, dos agentes e das oportunidades

futuro da IA

O David Becker, VP de Produto do Google DeepMind, estava tentando mover uma poltrona de couro pela porta do quarto. Virou de todo jeito. Não passava. Aí tirou uma foto com o celular e perguntou ao Gemini como fazer. O modelo analisou a imagem, entendeu o espaço, e deu instruções passo a passo. Ele e a mulher seguiram. A poltrona passou.

Pode parecer anedota. Mas essa história, contada no palco do Brazil at Silicon Valley, ilustra algo que importa muito para quem trabalha com pessoas: estamos subestimando o que já é possível fazer com os modelos atuais. E a maioria das organizações nem começou a explorar isso de verdade.

O David foi direto: se congelássemos todo o desenvolvimento de modelos de IA da indústria inteira pelos próximos dois anos, ainda haveria pista de sobra para construir produtos e experiências em cima do que já existe. O problema não é capacidade da tecnologia. É velocidade de adoção e imaginação de uso.

Essa conversa aconteceu com a Roberta Antunes, cofundadora da Vetpro, que está construindo a ponte entre especialistas humanos e os laboratórios que moldam o futuro da IA. E o que saiu do painel conecta diretamente com os desafios de gestão de pessoas e comunicação interna, mesmo que o tema central fosse produto e inovação.

Como a IA está evoluindo?

Sobre o ritmo de evolução, o David explicou que o DeepMind lança uma nova versão do Gemini a cada seis semanas. E contou que algumas startups organizam o calendário inteiro da empresa em torno dos lançamentos de modelos. No dia que sai uma versão nova, estão todos no escritório testando. Porque cada modelo é melhor que o anterior, e estar na versão mais recente é uma vantagem competitiva real.

Para empresas grandes, a realidade é outra. Passam meses em reuniões decidindo a estratégia de IA. Enquanto isso, startups com dezenas de pessoas estão gerando centenas de milhões em receita porque desenharam a empresa inteira para ser AI-enabled desde o dia zero. O David disse que talvez nunca tenhamos visto isso na história do capitalismo.

RH, Comunicação Interna e futuro do trabalho

Para RH e comunicação interna, o paralelo é incômodo. Enquanto a área discute se vai implementar uma ferramenta ou outra, o mercado ao redor está se reconfigurando. E a pergunta que ele deixou para fundadores vale igualmente para gestores: se os modelos vão ficar melhores, mais baratos e mais rápidos com o tempo, isso ajuda ou prejudica o que você está construindo? Se prejudica, é hora de pivotar.

Sobre o futuro do trabalho, ele foi otimista de um jeito fundamentado. Disse que em cinco ou vinte anos haverá mais engenheiros de software do que hoje, não menos. O que muda é o que eles fazem. Talvez não estejam escrevendo código linha por linha, mas orquestrando agentes que fazem o trabalho. E deu um exemplo que vale para qualquer função: nunca existiu uma empresa que tivesse engenheiros suficientes. Se você torna cada um dez vezes mais produtivo, a empresa contrata mais, não menos.

E trouxe o exemplo do YouTube. Na última divulgação de resultados, o Google anunciou que pagou mais de cem milhões de dólares em receita de anúncios a criadores nos últimos quatro anos. Milhões de pessoas vivem exclusivamente disso. Quinze anos atrás, “YouTuber” não era profissão. Ninguém imaginava que seria. E historicamente, em transformações tecnológicas, novos empregos surgem mais rápido do que os antigos desaparecem.

Gestão de pessoas

Para gestão de pessoas, essa perspectiva muda a conversa sobre requalificação. O trabalho não é preparar pessoas para perderem seus empregos. É prepará-las para empregos que ainda não existem. E isso exige menos treinamento técnico específico e mais desenvolvimento de capacidade de adaptação, curiosidade e pensamento a partir de primeiros princípios.

O David encerrou dizendo que daqui a vinte anos, otimisticamente, talvez estejamos trabalhando quatro dias por semana com mais tempo livre. E que o conselho mais importante para quem está construindo qualquer coisa agora é pensar: o que passa a ser possível que não era antes? Não porque as pessoas não tivessem a ideia, mas porque era caro demais ou complexo demais para um humano fazer. Agora não é mais.

Para comunicação interna e RH, a mesma pergunta se aplica. O que passa a ser possível na forma como cuidamos de pessoas, como comunicamos, como desenvolvemos talentos, que antes simplesmente não cabia no orçamento, no tempo ou na escala? Porque se a resposta é “muita coisa” e a gente ainda está fazendo o mesmo de sempre, o problema não é a tecnologia. É a imaginação.

WhatsApp
X
LinkedIn
Telegram

We use cookies

We use cookies to improve your experience on this website. You may choose which types of cookies to allow and change your preferences at any time. Disabling cookies may impact your experience on this website. You can learn more by viewing our Cookie Policy.